Divindades das águas são homenageadas em Barra Grande

 

Festejos ao mar continuam neste dia 03. Oxum também é celebrada.

 

Depois da tradicional Festa do Rio Vermelho, neste 02 de fevereiro, às homenagens à Rainha do Mar prosseguem em Barra Grande, na Ilha de Itaparica, onde a comunidade também celebra Oxum, a Deusa das águas doces. É o Cortejo Sankofa, atividade cultural que acontece há sete anos, sempre no dia 03 de fevereiro, reunindo diversas manifestações culturais negras. Além do presente à Iemanjá e à Oxum, acontece rodas de samba, capoeira, maculelê, apresentação de bonecões e outras expressões artísticas do rico patrimônio cultural afro-brasileiro. Um dos momentos mais importantes do evento é o encontro, na beira da praia, dos presentes às divindades das águas, vindas de dois terreiros tradicionais da Ilha. Depois de um ritual religioso, conduzido por Mães e Filhas de santo, as oferendas são depositadas no mar, com cânticos e pedidos de paz e prosperidade.

O Cortejo Sankofa visa a preservação das tradições religiosas de matriz africana e a valorização cultural da comunidade de Barra Grande. Todos os anos, o Sankofa atrai à Ilha religiosos, artistas, militantes negros e demais interessados na manutenção da herança africana no Brasil. Segundo o idealizador do Projeto, Durval Azevedo "Sankofa é resgate, é visibilidade, é a demonstração do que fomos, do que somos e do que podemos ser. É a busca de uma futuro com uma nova perspectiva."

O termo Sankofa se refere a um rico sistema de escrita africano, formado por dezenas de ideogramas, cada um representando uma mensagem, uma sabedoria ou um ensinamento africano. Esses ideogramas representam os "jeitos negros" de ver o mundo, como o que diz que toda pessoa deve andar para frente olhando para trás, pois a vida é um círculo e o início pode ser o fim e vice-versa.

O Centro de Formação Humana para o Desenvolvimento Social – SANKOFA é uma organização que atua na preservação do patrimônio cultural dos descendentes de africanos constituído pelo samba de roda, capoeira, manifestações religiosas e o evento inédito de Encontro de Oferendas para as Deusas das Águas Oxum e Iemanjá no dia 3 de fevereiro, singularidade mundial existente apenas na pacífica comunidade de Barra Grande, entre outras expressões culturais. O evento é mantido por contribuições e pela venda de camisas, no valor de R$ 20,00, que ainda dá direito à uma feijoada.

 Informações pelos tels.: 3241-8708 ou 8801-8526.

Tv pan-africana

18 de Janeiro 2006 Por Jeremy Lovell

 

Londres - Com o intuito de ter africanos fazendo reportagens sobre a África para o Mundo, um grupo de profissionais de radiodifusão, executivos e repórteres estão montando uma rede de televisão a satélite pan-africana, a ser lançada dentro de um ano.

Nos moldes da rede de satélite árabe, Al Jazeera, e liderada por Salim Amin, filho do legendário foto-jornalista queniano Mo Amin, a Tv África tem como objetivo ser uma voz independente reportando sobre todos os eventos - bons ou ruins - para o continente e para o resto do mundo.

"

Minha idéia é dar uma visão mais balanceada da África pelos africanos, do que delegar esta missão a correspondentes estrangeiros", disse Amin.

"Da maneira que funciona o sistema de notícias internacionais 24hs, as grandes redes têm varias outras grandes estórias que precisam ser cobertas e que não recebem os recursos que acredito sejam necessários para cobrir a África apropriadamente", acrescenta.

Amin, em Londres para angariar interesse e investimentos no empreendimento, mencionou que a rede americana CNN e a Britains’s Sky Television têm apenas um escritório cada uma enquanto a BBC tem quatro para cobrir o continente.

"Com estes poucos escritórios, pode-se realmente estar em todos os lugares, e eles realmente se concentram é nas grandes estórias, especialmente de guerra, fome, corrupção e HIV, infelizmente", disse ainda.

Não estamos aqui para fazer Relações Públicas para a África. Mas queremos balancear a notícias duras e trágicas com as de sucesso que também existem no continente - as pessoas,a moda, o entretenimento,o esporte a música", acrescentou.

Amin apontou a classe media emergente que está ávida por notícias sobre seus conterrâneos africanos, e toda a Diáspora Africana, ansiosa por saber as notícias de casa.

O objetivo é ter uma pequena televisão em todas as capitais africanas, com transmissões que exibam a multiplicidde de linguagens do continente.

Mas quando o canal entrar no ar, será inicialmente em inglês e francês e é improvável cobrir mais que a metade da África.

Amin reconheceu que outros já tentaram e falharam, mas disse que a nova tecnologia dos celulares conectados à Internet, facilitou e barateou a produção dos serviços e evitou a interferência de governos conhecidos por suas insatisfações quanto à mídia independente.

" Através destes meios, da mesma forma que a televisão e o rádio padrão, esperamos levar a mensagem para a maioria das pessoas. ", ele disse.

" Se pudermos, ao menos, reduzir consideravelmente as distâncias e fazer com que os Africanos falem um com os outros... podemos pressionar governos a serem responsáveis. Assim como o fez a Al Jazeera.", ele acrescenta.

esperando levantar capital inicial em torno de U$35milhões, a ATV pretende estar em fase de teste ao final de dezembro deste ano, e no ar a partir de 6 de março de 2007.

Mas nesse tempo, Amin e seu time tem que montar um plano de negócios muito bem definido.

"Estamos convencidos de que é possível. Mas precisamos do plano de negócios para provar a viabilidade", ele disse. "Estaremos reportando sem medo ou conveniência. Este é o objetivo e a visão. Não sei se é possível, mas eu acredito."

Instituto oferece oficina de vídeo para afrodescendentes

 

O Instituto de Mídia Étnica convida jovens negr@s interessad@s em cinema para participarem de uma Oficina de Vídeo que será oferecida a partir do dia 23  de janeiro, das 15 às 18h, na sede da entidade, no Pelourinho. A Oficina será ministrada pela cineasta grega Marianna Astraka, que está no Brasil através de um intercâmbio com o Instituto. Marianna é formada em Jornalismo e Mídia pela Aristotelion University de Salonica e concluiu mestrado em vídeo documentário pela Middlessey Universitade de Londres. Produziu diversos documentários para a televisão grega, além de participar de festivais internacionais de vídeo. O curso vai até o dia 03 de fevereiro e é voltado para quem já possui alguma experiência com vídeo e tenha interesse em comunicação comunitária e movimentos sociais. A seleção acontece nesta sexta-feira, dia 20, das 13h às 18h, na rua das Laranjeiras, n.º 14, Pelourinho. Os selecionados pagarão uma taxa simbólica de R$ 5,00 (cinco reais).

 O Instituto de Mídia Étnica é uma organização do movimento social que luta pela reparação nos meios de comunicação. A entidade surgiu com o propósito de realizar pesquisas e projetos para a inclusão racial na mídia, assegurando os direitos da população negra no uso das ferramentas tecnológicas. Com base no conceito da “comunicação como direito humano”, o Instituto de Mídia Étnica visa uma maior e melhor participação dos afrodescendentes na produção de mídia.

Mais informações pelo tel.: 8836-1735 / 9959-2350 / 8815-1605 ou pelo e-mail: midiaetnica@yahoo.com.br

 

SERVIÇO

 

O que? Oficina de vídeo para afrodescendentes.

Quando? De 23 de janeiro a 03 de fevereiro, das 15h às 18h.

Onde?  Sede do Instituto, na rua das Laranjeiras, n.º 14, Pelourinho.

Quanto? R$ 5,00 (cinco reais)

                Seleção: dia 20/01, sexta-feira, das 13h às 18h, no local.

4ª NOITE DO WA JEUM

"Vamos Comer"

 

Para as civilizações africanas a refeição é um rito sagrado. Desde a preparação do alimento ao momento coletivo da degustação os povos da África celebram a alimentação como fonte geradora do Axé, a energia vital. Na Bahia, assim como nas diversas comunidades da diáspora negra, o alimento é algo essencial, seja para ofertar às nossas divindades, seja para garantir o sustento das cozinheiras negras, seja simplesmente para possibilitar momento de celebração coletiva, de encontro e felicidade. Foi o que ocorreu na última sexta-feira, 25/11, na Senzala do Barro Preto, Curuzu, quando o Ilê Aiye realizou a 4º noite do Wa Jeum, uma celebração à culinária de matriz africana, preservada na Bahia. Foram servidos mais de 25 deliciosos pratos da cozinha afro-baiana, desde os tradicionais caruru, feijão fradinho e vatapá, até cardápios requintados como o peito de frango ao molho de gengibre e o inhame com patê de camarão. Para completar a refeição cocadas de sobremesas e o aruá, bebida sagrada feita com cana de açúcar e milho. Enquanto saboreavam essas delícias, o público (entre militantes negros, artistas, parlamentares e amantes do Ilê Aiyê) curtiu o som da cantora Graça Onasilê e da banda Aiyê. O Presidente do mais antigo bloco afro baiano, Antonio Carlos Vovô, explicou que a idéia de realizar a noite do Wa Jeum (que quer dizer vamos comer, em iorubá), surgiu em uma turnê do bloco ao continente africano, quando prepararam um jantar no Benin e perceberam a satisfação de todos com o fato de ingredientes, misturas e receitas africanas terem sido preservadas e reinventadas na Bahia. A responsável por todos os pratos servidos é Elizete Matos dos Santos,  Dona Lili, que esse ano contou com o apoio do Chef de Cozinha do Hotel Tropical da Bahia, Michael Mensha, de Gana, que ensinou receitas da sua terra natal aos alunos do Projeto Cozinha da Cidade, que oferece curso profissionalizante de ajudante de cozinha para jovens da Comunidade.

            

Poder Para o Povo Preto

 

Entre garfadas e goles de aruá, os negros e negras que participaram da 4º Noite do Wa Jeum fizeram um balanço das atividades do mês da consciência negra, em especial das marchas realizadas na cidade. “A extensa programação do mês de novembro mostra a força de mobilização do movimento negro que colocou o debate racial no centro do debate público. Fizemos uma marcha que superou todas as expectativas”, avaliou Antonio Carlos Vovô. “Temos que garantir que a consciência negra seja algo fundamental para as nossas lutas e conquistas e que a data não seja banalizada. Apesar de não concordar com a denominação ‘Ano de Promoção da Igualdade Racial’, considero que 2005 foi importante para os negros e negras reafirmarem suas bandeiras e mostrando sua força e poder de mobilização”, afirmou Marcus Alessandro do MNU.

Quanto ao tema do Ilê Aiyê para o Carnaval 2006, o Negro do Poder, o presidente do bloco considera que o nosso povo já está preparado para fazer um debate sério sobre nossa condição política. “Já chega de delegarmos para outros nossa representação. Ficar esperando que nossas demandas sejam atendidas. Temos condição de colocarmos os nossos em espaços de poder e decisão”, defende. Para o sindicalista Moisés Rocha a população negra já provou sua organização política exitosa. “Em Palmares, os negros e negras mostraram todo o poder de organização socialistas que incluiu negros, indígenas e brancos, em uma sociedade fraterna e igual. O exemplo de Palmares permanece em nós”.

 

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Ou acesse: http://www.ileaiye.com.br

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